domingo, 11 de setembro de 2011

Dibujo en el aire





Ya no quiero vivir con los temores
que prefiero entregarme a la ilusión
y lo que creo, defenderlo con firmeza,
sin historias que me abulten el colchón

Y si un día me siento transformado
y decido reorientar la dirección,
tomare un nuevo rumbo sin prejuicios
porque en el cambio esta la evolución

E el cambio esta la evolución

Que mi camino se encuentre iluminado
y la negrura no enturbie el corazón
discernimiento al escoger entre los frutos,
decision para subir otro escalón
Vivir el presente hacia el futuro
guardar el pasado en el arcón,
trabajar por el cambio de conciencia,
dibujar en el aire una canción.

Chambao, Pokito a Poko, Dibujo en el aire


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em cada pé que se pousa



Os pés são ferramenta essencial desse teu corpo. Base que te leva e traz. E até os meus pés foram confrontados nessa sua fragilidade aparente. Expostos a cada momento, olhei-os como nunca os tinha olhado. Soltei-os. Finquei-os na terra e fiz deles parte consciente de mim. Faz toda a diferença se te transportas de um lado para outro, corpo físico ao serviço de uma mente ou te tomas como corpo, espírito e mente, partes iguais de um todo maior. Cada um como parte de ti e dessa tua missão que se trava a cada momento, em cada pé que se pousa. Pés que se encontram com a terra seca e áspera, com os mosaicos frios e húmidos, com a água da loiça que cai, com o pó que se acumula na mercearia, com os peixes que te tratam como num spa, com a abelha caída que acabaste de pisar, ou ainda com o sapo que te acabou de saltar.

Cada sensação mostra-te onde estás, lembra-te que estás aqui, neste sítio, agora, e não te deixa vaguear, dentro do conforto dos teus sapatos que pisam a realidade sem a olhar. Lembram-te que a natureza chega para cuidar do teu corpo. Mostram-te que apenas um momento de distracção pode valer muito porque vives sem o layer da protecção. E dizem-te que és simplesmente mais um, mais um ser entre tantos, que percorrem o mesmo caminho, sobre a terra.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

E de repente, eu fui até ti


De repente, senti o cheiro que há anos não sentia. Veio até mim e levou-me muito longe. A flor branca caída, de odor intenso e profundo. Mergulhei assim, fundo em mim. E logo sorri. Sorriso aberto, espontâneo, seguro.

Jasmim

Os cachos enfeitam os seus cabelos lisos e brilhantes. Diariamente, como quem se perfuma. São mais elas. São mais belas.

De manhã, na esquina, na rua. Colhe, faz, vende, compra. O ritual repete-se.

Amanhã, outra vez.


domingo, 16 de janeiro de 2011

O caminho





"E o mundo sente, todos nós sentimos (e eu chorei por isso mesmo) que me falta qualquer coisa, que a máquina está perturbada, que o caminho não é exactamente este e que os anos passam..."

Fernando Távora, Diário de Viagem aos USA, 1960

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Recomeçar


Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A ousadia do próprio caminho



“Cada um tem sua história pessoal, e é ela que se reflecte em um trabalho, dando-lhe originalidade. Não existe uma história melhor que outra, mas apenas caminhos.”

"(...)Em algum momento da vida, coisas que estavam esparsas ou compartimentadas dentro da gente começam a fazer sentido num todo integrado. Por isso, retomando o conselho do início, escolha uma linha para seu trabalho baseada nos desejos, nos instrumentos e nas capacidades que você reconhece em si próprio desde a infância, algo que vem de trás, e então respeite essa linha e direcione seu potencial. Isso vai dar uma personalidade ao seu trabalho, que vem de processar o mundo, os materiais, os métodos de produção etc., de acordo com a sua sensibilidade, seu filtro pessoal. Não adianta querer ser o que não é, camuflar uma fraqueza; não adianta entrar na onda do momento e muito menos copiar. Se você for fiel a si mesmo, vai encontrar um jeito que é seu.
Todos nós seres humanos temos naturalmente momentos de expansão, quando estamos felizes, e momentos de maior interiorização, quando precisamos processar alguma coisa. E o criador precisa da sombra para enxergar a luz e daí alcançar o equilibrio; precisa reflectir, olhar seu percurso. Sem esse diálogo interno perde-se a coerência e fica-se à mercê dos modismos, embarca-se no minimalismo, se ele é a nova onda, e isso não tem nada a ver.
Para encontrar um caminho próprio é preciso conhecer o dos outros, nas várias áreas. É importante educar o olhar, ficar atento ao que está no entorno, ir a museus, galerias de arte, ver filmes, assistir a espectáculos de dança, tanto na cidade em que você mora quanto durante as viagens(...)"

"(...)Hoje muitos jovens já chegam fashion, fantasiados de designers, na última moda, com a revista certa na mão; se sofrem um contratempo já querem brigar de igual para igual, não estão dispostos a enfrentar um período de aprendizagem. Também esperam encontrar tudo mastigado, as portas abertas, o que quase nunca acontece. Na falta de uma indústria estruturada, que banque projectos ousados, o jeito é inventar saídas. A questão do empreendedorismo está na ordem do dia: buscar a própria autonomia, os meios de bancar a própria ousadia.”

In Irmãos Campana – cartas a um jovem designer – do manual à indústria, a transfusão dos Campana, Rio de Janeiro, Elsevier Editora Ltda., 2009, pág. 4, 131-134

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O mercado





Ruas escuras, estreitas, húmidas. Cheiros fortes e vozes que entoam. Mercadorias que enchem cestos, sacos, caixas, bancas. Objectos que se empilham. Um sem número de embalagens e pacotes que se penduram e abanam ao passar. Bindis, bijuterias, doces… Frutas que te saciam só de olhar. As cores fortes, as formas por vezes excêntricas, as texturas que te apetece tocar. A abundância e a simplicidade do vender.
Essas ruas são de pedras, que se pisam ou evitam, que por vezes levantam e nem sempre encaixam. Enchem-se dos restos de tudo, das frutas e dos vegetais, dos sacos e da chuva. Os teus pés pisam a vida daquele sítio, que se acumula a cada dia, ali no chão. Aquilo que já não é, nem será, cai e ali fica. Passa de actor a figurante. Já não admiras mas desprezas. A sujidade por ali fica.
A riqueza é imensa, a densidade toma-te. Não estás, não pensas, não sentes, nada mais do que aquilo que te rodeia. Porque na Índia vives intensamente o presente!